(...)
Bem-Estar- A gente pode dizer, então, que as pessoas muito influenciáveis são fracas de valor?
Mussak- (...) Nós temos cinco necessidades essenciais, estudadas por Abraham Maslow. As duas primeiras são de sobrevivência física: atender às necessidades fisiológicas e precisar de segurança, por isso a gente procura ter uma casa, uma "caverna" para se abrigar da chuva, do inimigo, do frio. A terceira e a quarta necessidades são de sobrevivência emocional. A primeira dessas necessidades de sobrevivência emocional é justamente termos um grupo, pertencermos a um grupo social com o qual se compartilham valores, ideias. A quarta é a necessidade de afeto. Para o ser humano, emocionalmente, é mais importante pertencer a um grupo do que ser amado.
(...)
Bem-Estar- O que caracteriza uma pessoa madura, capaz de resistir às influências negativas?
Mussak-Uma pessoa que reconhece os seus valores e sabe diferencias as influências que estão de acordo com os seus valores ou que os ferem.Isso é uma pessoa madura. Maturidade que não tem muito a ver com a idade, até tem a ver sim, mas amadurecimento não é idade, é experiência.
(...)
Bem-Estar- Como protefer a mente da ação de tais pessoas?
Mussak- Não existe fórmula para isso. O que a gente sabe é que ninguém tem o poder de te machucar emocionalmente, ninguém tem o poder de te irritar, você é que se deixar irritar, você é que se irrita por conta dos outros. Eu estava lendo um material que trazia a história de um indivíduo que estava com um amigo no carro e pararam em um posto de gasolina para abastecer. O frentista do posto foi extremamente mal educado e grosseiro, sem cuidados com o que fazia, reclamava demais. O motorista do carro foi muito educado e simpático com ele, usou palavras agradáveis, no final se despediu, pagou, deu uma gorjeta e foi embora. O amigo então pergunta como ele foi capaz de tratar tão bem e de forma tão educada o frentista. O motorista respondeu: é que a minha educação não depende da educação dele. Você é uma pessoa bem-educada, cordial, generosa, porque você é assim, não porque os outros pedem que você seja. Não depende da maneira como se é tratado. Um dia vi um adesivo em um carro, que dizia: "a minha educação depende da sua". Não concordo, a minha educação depende de mim, dos meus valores; se você me trata mal, não se preocupe, eu vou tratar você bem.
Bem-Estar- Mas isso demanda um controle rigoroso de si...
Mussak- Isso que é maturidade emocional. Sei que é difícil ter, mas é possível. Às vezes, eu tenho, às vezes, não.
Bem-Estar- Que espaço, então, devem ter as opiniões dos outros em nossas vidas?
Mussak- Nós temos de entender que existimos em função do outro. Temos de ter dois tipos de diálogos para aumentar o nosso autoconhecimento. Os diálogos internos, que temos conosco mesmos, e os diálogos externos. (...) Você não pode atender apenas às suas expectativas, mas precisa olhar para aquelas que os outros têm de você. Se você não fizer isso, vira um eremita, uma pessoa considerada egoísta, excêntrica, limitada. Tem de atender também às expectativas do outro, considerando que você vive em sociedade.
Bem-Estar- Em um artigo, você cita a frase de Jean-Paul Sartre, "o inferno são os outros", por favor, nos fale sobre isso.
Mussak- Isso é uma tendência muito forte das pessoas: transferir a responsabilidade de sua felicidade ou infelicidade para os outros. Mas Sartre diz que não pode ser assim. Você tem de lembrar que está condenado a ser livre. Quando ele diz isso, se refere ao nosso livre-arbítrio para nos deixar influencias positiva ou negativamente e deixar nossa vida se transformar em um inferno ou não por causa dos outros. É o nosso livre-arbítrio que precisa ser exercido.
Bem-Estar- Como conduzir a ação e o pensamento de maneira que não causem dor física ou psíquica aos outros?
Mussak- De todos os princípios da ética, o que eu acho mais adequado é o do cristianismo: não faça aos outros o que você não gostaria que fosse feito a você. Ou trate os outros como você deseja ser tratado. Isso é um princípio ético. Não acho que seja alguma coisa tão difícil. Ainda que, às vezes, você tenha de lembrar que não vai agradar a todas as pessoas o tempo todo. Você, muitas vezes, será obrigado a dizer não, seja no âmbito profissional ou no pessoal. Com os filhos, por exemplo. Se você não aprender a dize não para os filhos, não estará fazendo muito bem para eles, porque, mais tarde, a vida vai dizer um monte de não e eles não estarão acostumados a lidar com isso. Não há possibilidades de agradar a todos o tempo todo. Então, às vezes, é preciso desagradar dizendo não, pois, naquele momento, pode ser a atitude mais correta, mais ética.
Revista Bem-Estar (Diário da Região).
Acho válido! (13:33 p.m.)
Um comentário:
Relaxa, cu, tá tudoo bem :)
Adorei essa entrevista, aponta vááários valores que hoje em dia quase ninguém se lembra!
"não faça aos outros o que você não gostaria que fosse feito a você" Se pelo menos 1/4 da população pensasse nisso todo dia na hora de acordar, com certeza não estaríamos nessa merda! :)
Beijãaao, cuu ;**
Postar um comentário